domingo, 10 de fevereiro de 2008

E agora quem deu a chapada?


Era uma vez,
um senhor que se chamava Ricardo Bexiga e trabalhava numa câmara.
Este senhor era considerado por algumas pessoas, um chato. Ele estava constantemente a fazer queixinhas ao Tribunal de Contas, à Inspecção-geral de Finanças e à Procuradoria-geral da Republica da promiscuidade que ele achava que existia entre o futebol e a politica.
Certo dia quando ia para o carro numa garagem, eis que aparecem uns quantos canalhas que à traição e cobardemente com as ventas tapadas, lhe dão umas valentes bastonadas na cabeça e ainda lhe partem um braço.
O senhor coitado muito debilitado, acabou por apresentar queixa na polícia. Investigação para cá, investigação para lá, um magistrado distraiu-se e meteu sem querer os papeis do processo na gaveta.
Passados dois anos alguém que por ali limpava o pó, repara nos papéis, è então aí que recomeçam tudo e resolvem chamar uma senhora, que escreveu um livro e se fartou de vender (refiro-me ao livro), para prestar declarações. Parece que sabia de alguma coisa, dizia ela.
Na realidade esta senhora sabia de tudo, pois viveu algum tempo com um indivíduo, que garante ela, mandou fazer o serviço, ou seja calar de vez o senhor da câmara.
Foi ela quem mais colaborou com a polícia e Ministério Publico, não se cansou de dizer “Fui eu que contratei o pessoal para malhar no tipo, fui eu”, mas os investigadores, rapazes perspicazes e habituados todos dias a que o pessoal se acuse quando comete crimes, disseram “Não, não. Tu não sabes é nada. Daqueles que contrataste não sabes qual deu a chapada, por isso… arquive-se”.
No fundo está certo, porque quem segura no bastão não quer dizer que tenha dado com ele. Passa-se o mesmo com as pistolas, lá por apontares não quer dizer que sejas tu a carregar no gatilho.


Moral da história: Se cometeres um crime, corre rapidamente para a esquadra mais próxima a dizer que foste tu. Ainda te levam a casa.


Só um aparte, que no fundo é uma coincidência para quem nelas acredita. O Procurador distrital adjunto na altura que ficou encarregue do caso enquanto o processo repousou chamava-se Alípio Ribeiro (profissional competentíssimo, a prova-lo, as ultimas declarações do caso MacCann). Quererá isto dizer alguma coisa?

8 Pinokadas:

blueminerva disse...

Em Portugal, a culpa morre solteira. E depois espantam-se, se porventura alguém quer fazer justiça pelas próprias mãos. O que diga-se, não é correcto... mas face ao desespero de não ver um crime punido pelos meios legais... o que fazer?
Um abraço

tita coelho disse...

Pois é, acho que o mundo está retrocedendo querido! Temos que fazer justiça com as próprias mãos...pois as aoturidades não fazem nada!
beijos

martelo disse...

é muito interessante, muito conveniente...

Paulo Sempre disse...

Obrigado pela visita.
Há "figuras" "competentíssimas" que só o são enquanto em silêncio...Basta serem colocados perante determinadas situação e, logo, mostram os "pés de barro". Foi sempre assim...
Abraço
Paulo

Estafermococus disse...

Pinoka, estas super-equipas e super-procuradoras vão dar no mesmo, tudo ficará igual, e estes casos vão continuar a ser noticia.

Rui Gamboa disse...

Não fosse verdadeira e esta história daria vontade de rir.

Então e a Mizé Morgado, não ia resover tudo?

samuel disse...

Pinoka

O senhor Alípio fez muitíssimo bem em guardar o precesso na gaveta, não se desse o caso de alguém ser constituido arguido "de forma algo precipitada", o que é uma coisa muito desagradável.

Abraço

Bel disse...

Com piada se dizem verdades
Olá Pinoka