terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pronto, já li ! E...


A velha máxima aplica-se convenientemente:

“O problema não é o que se diz, mas como se diz.”

E neste caso, quem o diz.

Considero-me católico mas tenho sentido de humor.

Confesso que não me senti minimamente ofendido com o livro que li e consegui inclusivamente esboçar alguns sorrisos, talvez porque o tenha interpretado como uma fábula irónica com alguns apontamentos de humor.
Pena é, que a meio se tenha tornado exageradamente erótico e forçadamente gracioso, com um final a roçar uma ordinarice decepcionante.

Este livro escrito por Ricardo Araújo Pereira ou interpretado em rábulas pelo Herman José, seria provavelmente um caso sério de sucesso, menos odiado pela igreja e provavelmente muito mais apreciado pelos portugueses. O problema é que o livro é escrito por José Saramago, e José Saramago tem uma intenção clara de malícia e falta de respeito pelo próximo e por uma instituição e religião específica, e assim justifica plenamente o que lhe chamei no post anterior, besta.

Parece-me ainda que algum vocabulário era perfeitamente dispensável, por exemplo a palavra “merda” escrita por Saramago não tem a mesma graça que escrita por Miguel Esteves Cardoso, e ele já tem idade suficiente para reconhecer isso.

Por falar em Miguel Esteves Cardoso, concordo inteiramente quando diz que Saramago escreve mal.

Escreve de facto mal. Chega a tornar-se cansativo e irritante o facto de não utilizar pontuação.

Porra, terá mesmo sido este o prémio Nobel ?!


...


10 Pinokadas:

Leonor disse...

Mantenho-me até hoje sem conseguir ler um único livro do homem. Já perdi a conta ao nº de tentativas do memorial do convento.
A ausência de pontuação torna-se cansativamente chata ...

Carlos II disse...

Claro que o melhor é ler. Afinal pelo que descreves da tua leitura, a história é possuída de uma certa ironia.

Agora o que o homem fez foi um ataque ao cristianismo e a todos os cristãos.

Será que todos aqueles que possuem o cartão do partido, também fazem parte de uma quadrilha de malfeitores?

Um abraço

joao disse...

Sim, tens toda a razão, na realidade cada coisa tem o seu lugar e deve apenas ser 'julgada' de acordo com o enquadramento em que se insere. Seria de esperar alguma irreverência na escolha dos temas e/ou palavras por parte de um escritor humorista uma vez que o humor recorre amiúde ao exagero para despertar em nós o sentido do caricato. Em relação ao Saramago, não seria de esperar uma critica tão aberta, e como dizes com malícia a uma instituição cujos princípios praticamente regem a nossa sociedade. Assim, se a intenção do Saramago era destacar a sua nova obra literária penso que o fez da pior forma possível e provavelmente 'no Natal'(altura em que os portugueses estão mais pre-dispostos para o consumo) o tiro irá sair-lhe pela culatra eh eh eh

Teté disse...

Estou, tal como a Leonor, em branco dos livros do Saramago: a falta de pontuação enerva-me e não consigo ler, embora já tivesse tentado mais de uma vez!

Mas o James Joyce também tem uma escrita complicadérrima (não consegui ler Ulysses, a sua obra mais famosa) e, salvo erro, também ganhou o Nobel! Critérios!

Não simpatizo com Saramago como pessoa, como escritor não o leio, mas continuo a achar que tem direito à sua própria opinião. Lá por a maioria dos portugueses ser católico, não quer dizer que os restantes não possam considerar a Bíblia e a Igreja como o "ópio do povo" (como dizia o outro). Nem me parece que os católicos sejam todos bonzinhos e os ateus uns malvados... Opiniões, está claro!

Aliás, aposto que, como golpe publicitário, vai resultar... :)

Beijocas!

O Pinoka disse...

Leonor
Confesso que também não fiquei com grande vontade de repetir.
Bjs


CarlosII

Essa da quadrilha, foi mais um momento infeliz do intelectual. Aliás, desde que anda a promover a “obra” ainda não conseguiu ter um comportamento para além do infeliz.



João

Destacar uma obra destas, só com este aparato todo. Se é da pior maneira, a ver vamos. Nós portugueses, temos uma capacidade de surpreender inigualável.



Teté

Todos podemos e devemos ter opinião própria sobre qualquer tema, o problema é a forma como a expressamos e a quem nos dirigimos, e Saramago em cada conferência de imprensa que dá, piora.
Afinal quem parece querer impor o pensamento único é ele, e a prova disso mesmo é que identifica como quadrilha aqueles que são católicos.
Quadrilha, não me parece... elegante.
Bjs

Mariazinha disse...

Já li vários livros de Saramago e gosto.
O melhor que li foi o memorial do convento,notável!
O problema é que o homem além de comunista é ateu o que torna o caso bicudo.Se o homem fosse um estrangeiro qualquer não havia problema.Então o homem por não ter religião não pode escrever sobre a bíblia?Será esse livro tabu?
Tudo isto me cheira a hipocrisia,ou seja tudo isto existe,tudo isto é triste,tudo isto é fado...

Já agora leram alguma coisa do velho testamento?

Beijokas

O Pinoka disse...

Mariazinha,
Tal como já disse, o problema não é o que se diz, mas sim como se diz.
Ser comunista e ateu não tem qualquer problema. E é claro que pode escrever sobre a bíblia ou o que ele quiser. Pode por em causa tudo o que quiser, pode ter e levantar duvidas no que lhe apetecer, tal como eu me pergunto que raio de comunismo é o dele que apoiou o António Costa.
Não há tabus.
O que tenho a certeza, é que para se afirmar uma opinião diferente, não é preciso chamar filho da puta ao Senhor.
Que te parece?

Bjocas

Mariazinha disse...

Pois...
O homem já concordou que se excedeu
mas tambem não posso concordar com quem o tem ofendido tanto e ainda por cima não o quer como cidadão português.
Eu não sou sectária e acredito no direito à liberdade de opinião,não é por ser comunista que vou estar de acordo com todas as directrizes do PCP.Tambem penso que um ateu ao ler a bíblia pode fazer a interpretação que quizer.
Já entrei em mesquitas
sinagogas,igrejas,templos e gostaria que em Portugal se tratassem todos credos como a igreja católica é tratada.Afinal vivemos num estado que se diz laico.Tivemos recentemente o caso do cardeal patriarca que tambem ofendeu a comunidade muçulmana isso sim são atitudes graves.Agora uma ficção??

Beijokas e bom domingo

Teté disse...

Correcção: James Joyce não recebeu nenhum Nobel da Literatura, embora esse livro seja considerado uma obra-prima da literatura inglesa.

Lamento informar-te que Saramago sempre se esteve nas tintas para a "elegância", em 1975 ou coisa, quando foi director do Diário de Notícias, despediu todos os jornalistas que não fossem do seu partido ou simpatizantes... E isso parece-me dizer bastante sobre o "estofo" do homem! ;)

Azoth disse...

"Já agora leram alguma coisa do velho testamento?"

Concordo com as palavras da Mariazinha

A Bíblia merece respeito pela antiguidade que é,pela história de um povo, mas também não acredito que Deus ande ou andasse por aí a soprar aos ouvidos deste ou daquele para escreverem em seu nome.Penso que a Bíblia é o que é, um livro com belas histórias e outras nada belas.
Gosto particularmente do Evangelho segundo S.João.Novo Testamento.

A Bíblia divinamente inspirada, é um caso a pensar e pelos visto Saramago disse o que pensa e se deu mal.

Quanta coisa se faz em nome de Deus, pratica-se o bem em nome de Deus, fazem-se guerras e mata-se em nome de Deus. Os reis são reis em nome de Deus, os papas são representantes de Deus e por aí fora.

Se existe um Ser criador e eu acredito que sim,(uma energia talvez) a quem poderemos chamar Deus deve estar muito zangado/a, não só com Saramago por dizer o pensa e cria polémica, talvez com a intenção de chamar a atenção para o seu livro, mas com todos os homens que usam o Seu nome em benefício próprio.

E a história da humanidade está cheia de casos de homens que em nome de Deus se julgam superiores aos seus irmãos humanos. Poder e política em nome de Deus.

Mas Deus é justo e dá o divino prémio a todos, a morte, para que todos vejam que Todos somos Um e que ninguém é mais que ninguém por mais ilusões e vantagens terrenas que tenham.

Todos temos um cérebro que pode analisar friamente e sem paixões o que é realmente Deus e se é Deus ou os homens que fazem de uns senhores e outros escravos.