quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quando se teima em não ver...


Em jeito de comentário ao último post que fiz, a blogueira Blueminerva enviou-me um e-mail onde o objectivo, segundo ela, é revelar a verdadeira causa da guerra entre o povo da Palestina e Israel.

Na altura li o e-mail e disse que faria um post acerca dele para comentar. Contudo, não me parece lógico fazer um comentário seja ao que for sem mostrar o motivo, neste caso o referido e-mail, sendo este blog de leitura pública, quem lesse o texto provavelmente acharia que estava incompleto ou não faria sentido visto o meu comentário ser de respostas directas a algumas questões que se levantam ou afirmações que na minha opinião estão deturpadas.
A apresentação original recebida por e-mail está em PowerPoint, aqui terão de clicar nas imagens para aumentar e ler.
Aconselho os pró-palestinianos, os pró-israelitas e até os indiferentes a ler o que está nas imagens. É sempre importante ouvir ou ler opiniões diferentes.
Mais abaixo, depois de uma pesquisa aqui outra ali, conto resumidamente a história do território.
A quem quiser ler talvez ajude a formular ou reformular opinião.


Comentário ás imagens:

A história não é tão simples assim. E a forma como é contada nesta apresentação, para quem não dispõe de mais informação, atingirá por certo o objectivo para a qual foi criada.
Antes de mais, que fique claro que não tomo partido de qualquer dos lados nesta guerra, até porque me considero católico, logo insuspeito, apenas não aceito a condenação de uma das partes e a protecção incondicional da outra.
Ambos têm direitos, ambos têm deveres.

Considero o exemplo entre Portugal e Espanha essencial para espicaçar as hostes contra o suposto invasor.
Aqui aparece a primeira distorção da história. Portugal e Espanha são países totalmente independentes e neste caso seria uma invasão. No caso da Palestina e Israel a história começa com dois povos que discutem um território, não com um país que invade outro.
Entre as armas arcaicas usadas pelos palestinianos a que o e-mail se refere, faltou fazer uma referência aos atentados terroristas com suicidas. Uma arma um tanto mais poderosa, que justifica as muralhas para a defesa de Israel.
É falso que os israelitas só tenham ido em 1945 após o Holocausto e o fim da 2ª Guerra Mundial para Palestina porque os políticos do ocidente queriam arranjar uma terra para eles. Esta informação transmite a ideia que os judeus nada têm a ver com a Palestina até esta altura.
A escolha do território palestiniano pelos israelitas é porque eles pertencem à região. São tão válidos os velhos livros Hebreus para os judeus, como o Alcorão para os muçulmanos.
Em 1945 Jerusalém era como é hoje, uma cidade santa não só para os palestinianos muçulmanos como para os judeus e para os cristãos.
O facto de Israel ser um Estado Judaico não significa fundamentalismo. É um país em que vigora a democracia ao contrario dos Estados Islâmicos que não são democracias e são fundamentalistas.
A maioria do povo palestiniano que vive nos campos de refugiados, foi obrigado a ir para estes locais para se resguardarem dos ataques que Israel sofreu e efectuou na Guerra da Independência e dos Seis Dias. Guerras provocadas pelos estados árabes com o objectivo de arrasar Israel.
O facto de Israel se valer da sua posição geográfica para obter apoio dos Estados Unidos, não surpreende. Israel tem subsistido cercada de espingardas apontadas ao seu território. É uma questão de sobrevivência. A Rússia por exemplo, tem utilizado o gás como arma para demonstrar à União Europeia que tem um poder que nós não temos. A Venezuela e o Irão usam o petróleo.
Em 1967 não se fez paz, fez-se guerra, a dos Seis Dias e é por este motivo que Israel ocupou novas terras, as do inimigo, incluindo a Cisjordânia.
O verdadeiro motivo pelo qual o Hamas quebrou a trégua com Israel ao fim de seis meses foi por constar este trecho na sua constituição:
“Não há solução para a questão da Palestina a não ser através da Jihad. Todas as iniciativas, propostas e conferências são uma perda de tempo e esforços vãos.”
“Israel continuará a existir até que o Islão o destrua e o apague da memória tal como já o fez antes a outros.”
Ver vídeo aqui.
Mais informação aqui.

Pergunto, o que levará o povo palestiniano e quem o defende acerrimamente a pensar que eles terão mais direito ao território palestiniano que Israel?
Ao contrário de Israel foram os árabes/muçulmanos que nunca aceitaram uma divisão pacifica.
Os Israelitas erraram por diversas vezes na história deste conflito, mas é também um erro enorme considerar que os palestinianos não têm culpa nenhuma. Têm e muita.
A resolução do problema não passa de certeza por culpar Israel, mas sim por garantir segurança ao povo israelita desarmando o Hamas e depois então obrigar Israel a cumprir rigorosamente todos os acordos celebrados.
Enquanto os palestinianos não baixarem as armas e não reconhecerem o Estado de Israel, não terão legitimidade para exigir nada aos israelitas, serão iguais, porventura piores que eles.


Um resumo da história do território palestiniano:

Os judeus não são tão recentes na Palestina como muita gente quer fazer crer, há mais de 3000 anos já lá andavam.
O povo judeu desde a sua aparição que tem sido escorraçado de tudo quanto é sítio por onde tem passado. Combateram pelo território palestiniano, ainda este não era assim designado. Chegaram inclusivamente a dominar o território completamente, tendo Jerusalém como capital do reino. Ainda assim posteriormente e durante séculos foram reprimidos e escorraçados diversas vezes no seu território por outros povos inclusive pelos romanos, mas só no ano 638 é que toda a região fica sob o domínio árabe/muçulmano.
A partir de 1517 é o Império Otomano que controla toda a região e é durante este domínio dos turcos a partir de 1880 que os judeus começam a regressar comprando terras e instalando-se.
Após a 1ª Guerra Mundial em 1917 com a derrota do Império Otomano, a Palestina, Israel e Jordânia foram atribuídos à Grã-Bretanha, que divide o território em dois distritos separados pelo Rio Jordão e os judeus apenas seriam permitidos em cerca de 25% do território junto a uma zona costeira. Os árabes dessa região rejeitam a divisão e a partir daí começa o conflito até aos dias de hoje.
A Inglaterra estabelece então uma administração semi-colonial, que apesar da Declaração de Balfour é reticente quanto à emigração judaica, tentando apaziguar a reacção da população árabe - receosa de passar a ser uma minoria, por um lado, e por outro sentindo-se traída pelas promessas feitas por Lawrence da Arábia durante a guerra contra os turcos a Faiçal, e depois quebradas.
A Declaração de Balfour é uma carta escrita em 2 de novembro de 1917 pelo então secretario britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, enviado ao Lord Rothschild sobre sua vontade de conceder ao povo judeu uma facilitação de povoação da Terra de Israel caso a Inglaterra conseguísse derrotar o Império Otomano.
A insatisfação é crescente entre os grupos de sionistas. Então, já em 1931, surge o primeiro grupo terrorista conhecido como tal, o Irgun. Essa força para-militar sionista consistia em apressar a criação do estado de Israel pela imposição da força, expulsar e massacrar os povoados palestinos que se recusavam a vender suas terras aos sionistas, tal como vemos aconteceu com vila Deir Yassin.
A ascensão do Nazismo e as perseguições aos judeus aumentam a pressão migratória sobre a administração inglesa, que, face a uma crescente oposição árabe, à qual não é estranha a ajuda nazi ao Grão-Mufti de Jerusalém, Mohammad Amin al-Husayni, na propaganda antijudaica, fecha cada vez mais os portos, chegando mesmo a repatriar emigrantes judeus para a Alemanha nazi.
No final da Segunda Guerra Mundial, os sobreviventes do Holocausto são impedidos de emigrar para a Palestina pela administração britânica. Os ânimos de ambos os lados exaltam-se e são acompanhados por uma escalada de violência que a Inglaterra já não consegue conter.
O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada em 29 de Novembro de 1947, que deliberou a partição da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira.
A 14 de Maio 1948 os israelitas declaram a constituição do estado de Israel, levando à declaração de guerra por parte de Egipto, Jordânia, Síria, Líbano, Arábia Saudita, Iraque e Iémen. Nos 19 meses seguintes, na chamada Guerra da Independência, Israel acabaria por perder cerca de 1% da sua população, mas sairia vencedora, formando um pais maior que o inicialmente proposto pelas Nações Unidas dois anos antes. Egipto e Jordânia ocupam o território restante.
Durante a Guerra árabe-israelense, estimulada pelos países árabes, a maioria da população árabe da Palestina foge para os países vizinhos (Libano, Jordânia, Síria e Egipto) em busca de segurança. Com a vitória de Israel, a maioria desses refugiados, cerca de 750 mil, fica impedida de regressar às suas terras.
Em 1964, o Alto Comissariado da Palestina solicitou à Liga Árabe a fundação de uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo missão estatutária é a destruição do Estado de Israel.
Em 1967, Egipto, Jordânia e Síria mobilizam os seus exércitos, com vista à destruição do estado Israelita. Naquela que ficaria conhecida como Guerra dos seis dias, Israel derrotou os três exércitos em outras tantas frentes, ocupando a península do Sinai (Egipto), Montes Golam (Síria) e Cisjordânia (Jordânia), incluindo o total controlo sobre Jerusalém. Desde esse ano Israel adoptou uma política destinada a promover a instalação de colonatos civis israelitas, expropriando terras aos palestinianos e construindo as casas para os seus cidadãos. Esta atitude é uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe os vencedores de uma guerra de colonizar terras estrangeiras anexadas.
O presidente americano Jimmy Carter, em 1978, juntou o presidente egípcio (Sadate) e o primeiro-ministro israelita (Begin) em Camp David, afim de estabelecer o primeiro tratado de paz de sempre entre israelitas e árabes. Foi aqui acordada a devolução da península do Sinai, retirando os colonatos aí existentes, bem como o restabelecimento de laços políticos e económicos.
No ano de 1982, Israel devolve a península do Sinai ao Egipto.
A partir daí, entre intifadas, tiros e pedradas, os anos seguintes foram sempre iguais, acordos aqui e ali sem serem respeitados de parte a parte. Violência e mais violência até que em 2005 Israel retirou os colonatos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Mas como o problema principal não é Gaza, a situação na região continuou a ser igual ao que sempre foi e muito provavelmente será.


5 Pinokadas:

alfabeta disse...

Tudo se resume ao egoísmo, aterra é tão grande e cabemos todos nela.
Israel está super protegido pelos estados unidos e quem controla os americanos são realmente os judeus, a industria cinematográfica dos estados unidos é controlada pelos judeus. Pode ser que com o Obama as coisas mudem um bocadinho, já que o Bush era o primeiro a incitar à guerra.
No meio disto tudo, os inocentes é que pagam, infelizmente.

Azul Diamante* azul disse...

Confesso que ainda não li tudo(o post é grande e estou de saída) mas amanhã volto para ler tudo com muita calma como o tema merece.

Ainda bem que gostaste do sapato de luxo.

Beijinho para ti também

alfabeta disse...

A coisa que mais me irrita, é que se falasses aqui de sexo, toda a gente tinha paciência para ler e comentar, mas como vivemos num pais de atrasados!

Por isso é que estou farta desta coisa de blogues e só comento em blogues que realmente me dizem alguma coisa.

O Pinoka disse...

Alfabeta

O post é de facto grande. Nem todos tem coragem de começar e acabar. E tu se o leste todo és realmente uma mulher de coragem.
Mas sabes qual é a parte melhor deste tipo de post?
É que me obriga a ficar esclarecido quanto a temas importantes de que muitos falam mas poucos tem conhecimento. Ao fazeres um post deste género, pesquisas, lês, aprendes e ficas com um documento para a posteridade.

Fico satisfeito por o meu blog, visto o caso, te dizer algo.

Beijocas

alfabeta disse...

Eu gosto de andar informada, não sou como muitas pessoas que falam mas sem conhecimento das coisas, esses, são os burros armados em espertos, prefiro sempre ser esperta, armada em burra.
Tudo no mundo me interessa. O post é grande , mas interessante e é um assunto do nosso mundo, não é nada de outro planeta, mas as pessoas ligam mais a futilidades e nem estão para se chatearem muito com estas coisas, enfim, umas fúteis.

Este realmente é um assunto interessante, porque como as opiniões dividem-se e eu gosto de ser justa, li, para saber mais sobre o conflito deles.